humildade

Qual o nível de conhecimento técnico que um analista deve ter?

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A cada dia que passa nos deparamos com novas tecnologias no desenvolvimento de software. Surge uma nova versão do sistema operacional ou browser, um novo banco de dados, um novo smartphone ou tablet, um novo framework ou padrão de desenvolvimento, e assim por diante. Isso sem falar em novas regras de negócio, modelos administrativos, ferramentas de modelagem, indicadores de desempenho, etc. Ou seja, estamos sempre correndo atrás da máquina. Quanto mais estudamos, mais nos deparamos com coisas novas e percebemos que de fato sabemos pouco diante da imensidão do mundo de TI.

A partir disso, muitas vezes me questiono: “Quanto de conhecimento técnico eu preciso saber? Qual o nível mínimo de conhecimento que eu preciso?” Acredito que essa seja uma questão recorrente para muitos analistas de negócio, pois geralmente focamos nas regras de negócio, nas ferramentas de especificação de requisitos, gestão de demandas e outras atividades mais administrativas e menos técnicas. Com isso, em algumas especificações de requisitos a falta desse conhecimento técnico mais apurado sobre alguns assuntos, dificulta na especificação e passagem da necessidade para a equipe de desenvolvedores.

Torna-se muito mais simples a passagem da necessidade para um desenvolvedor quando realmente sabemos o que ele pode fazer. Não ficamos imaginando e pedindo o impossível e focamos realmente no que é viável. Além disso, a linguagem utilizada é muito mais direta e objetiva, facilitando muito a comunicação e compreensão das coisas tanto pelo desenvolvedor quanto pelo analista. Mas para isso acontecer, ambos devem estar com um nível semelhante de conhecimento.

O problema todo é que é muito difícil acompanhar a evolução técnica. Naturalmente, o analista acaba se distanciando da parte técnica e focando em questões mais de negócio mesmo. Para acompanhar tudo de forma efetiva, seria necessário trabalhar 24 horas por dia e 7 dias por semana. E não tenho certeza se conseguiríamos mesmo assim. Não podemos querer abraçar o mundo. Temos que entender que cada função possui suas atribuições principais. É do jogo mesmo. Um time de futebol não pode ser composto por 11 goleiros. Precisa ter também os zagueiros, laterais, meias e atacantes. Cada um com sua função e onde produz melhor. Mas o objetivo final é que o time vença. E no desenvolvimento de software é a mesma coisa.

Acredito que os analistas de negócio não devem abandonar totalmente a questão técnica. Devemos acompanhar vídeos, blogs e sites de referências para que estejamos cientes sobre o que há no mercado e as tendências que estão surgindo. Devemos utilizar redes sociais e ferramentas que nos mantenham “antenados” sobre as tecnologias existentes. Mas não precisamos saber fazer ou sermos especialistas nisso. Saber que existe e onde buscar se for necessário, já é um grande caminho. Ter experiência no passado como desenvolvedor também é algo saudável para entender as dificuldades e problemas enfrentados na geração de código-fonte.

Mas acima do conhecimento técnico que o analista deve ter, deve existir confiança e humildade no time. Se o analista não conhece detalhes técnicos, mas sabe que o time pode apoiar e ajudar na especificação, não deve exitar em pedir ajuda e especificar a necessidade em conjunto com a equipe técnica. O contrário também é verdadeiro. Ou seja, se a equipe técnica tem dúvida sobre regras de negócio ou como mapear um critério de aceitação ou modelagem no banco de dados, também deve sempre buscar apoio no analista. Ser humilde e reconhecer que há pessoas mais qualificadas para apoiá-lo é algo fundamental. E sempre pensar no coletivo e não no individualismo. Não queremos heróis e sim times coesos capazes de atingir os objetivos esperados.