Visão

Seja o cliente de seu produto

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A proximidade com seu cliente, buscando feedbacks frequentes são fundamentais para o bom andamento de um client-feedbackprojeto e evolução de um produto. Bom, isso deve estar muito claro para todos e não ser novidade para ninguém. Porém, o objetivo desse post é indicar que devemos ir um pouco mais além do que só receber feedback do cliente. Precisamos, de fato, sentir a dor que ele está sentindo.

Mas como assim sentir a dor do cliente? O que isso significa? Bem, acredito ser fundamental para uma evolução eficiente de um produto o uso interno dele, pela equipe que o vende e principalmente o desenvolve. Muitas empresas acabam desenvolvendo o produto e não o usam efetivamente no dia a dia. Apenas fazem testes, montam ambientes de demonstração e se baseiam na percepção dos clientes. Mas nem sempre isso é suficiente.Satisfação-do-cliente

Já vivenciei situações que os colaboradores da empresa não conheciam as funcionalidades do produto. Isso porque não o usavam efetivamente. Se você desenvolve software, também já deve ter vivenciado isso. Principalmente quando no desenvolvimento há diferentes tecnologias e módulos, e pessoas que não trabalham em todas as áreas. Acabam surgindo ilhas de conhecimento, não tendo uma visão sistêmica de todo o produto. Isso é um perigo e pode gerar um produto com ótimas funcionalidades isoladas e que não se comunicam adequadamente entre si.

Em experiências passadas, percebo que algumas vezes o feedback negativo do cliente parece exagerado pela equipe interna. Parecemos pais que não gostam quando outras pessoas falam mal de seus filhos. Porém, ao visualizar exatamente o cenário do cliente, utilizando o sistema, percebe-se que não houve exagero algum. Nesse momento, temos que guardar um pouco do nosso orgulho e perceber que realmente há lacunas no produto, e que ele, de fato, precisa ser melhorado.practice_makes_perfect_254524251

Utilizar o produto que você desenvolve parece um pouco óbvio, não é? Mas nem sempre é. Por exemplo, se você desenvolve uma solução de mobilidade para Windows Phone e ninguém da equipe possui um smartphone com esse sistema operacional? E se você utiliza o produto, mas não realiza a integração via arquivos ou API com outro sistema? E se você desenvolve uma solução específica para farmácias? Perceba que nem sempre é simples utilizar realmente todos os recursos do seu sistema.

Mas eu insisto. Dentro do possível, crie situações onde sua equipe utilize o produto no cotidiano. Uma utilização real, onde necessita de dados reais e regras de negócio bem mapeadas no sistema. Você, mais do que ninguém, conhece o produto que você desenvolve e sua empresa. Pense numa forma de adaptar um ao outro. Isso irá gerar uma maior visão sistêmica do produto, entendendo as intersecções entre módulos e tecnologias. Irá também antecipar possíveis problemas ou lacunas no produto que precisem ser ajustadas. Seja você o primeiro cliente de seu produto.

 

TDC 2014 Florianópolis

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Estive por um longo período afastado do blog, sem postar nada. O que aconteceu nesse período? Muitas coisas, com certeza. Vários novos assuntos surgiram e mudanças ocorreram na minha vida, e na própria análise de negócios. Durante esse período, infelizmente acabei perdendo o hábito de postar aqui no blog Análise Ágil de Negócio.

O que me20140522_210149 levou a retomar o blog? Bem, já tinha esse projeto pessoal e estava postergando, por N motivos. Porém, a participação no TDC 2014 Florianópolis me fez refletir que já tinha passado a hora de fazer isso. O tempo estava passando e eu perdendo a oportunidade de realizar essa troca de aprendizado entre todos.

Conforme citado acima, participei no TDC 2014 Florianópolis pela primeira vez como palestrante. Foi uma experiência incrível, onde aprendi muito. Eu e meu colega Rafael Helm palestramos na trilha Análise de Negócios. Nossa palestra “Os desafios na gestão de roadmap de produto em equipes ágeis”, contou de forma breve como realizamos a gestão de roadmap de produto na uMov.me. Buscamos explicar como buscamos gerar maior alinhamento entre a equipe de desenvolvimento e a estratégia da organização. Falamos sobre priorização, estimativa, planejamento e entrega das funcionalidades, entre outros pontos fundamentais para atingirmos os objetivos definidos para o produto.

TDC Vale destacar a qualidade do evento, que como sempre é excelente. Boas trilhas, ótimas palestras e uma organização impecável. Com certeza vale o investimento de ir até Florianópolis e obter um grande volume de conhecimento em poucos dias. Estive lá entre os dias 16 e 18 de maio, e tive o privilégio de ter acesso a ótimos materiais nas trilhas Análise de Negócios, Agile e Management 3.0. Buscarei falar mais sobre os assuntos abordados no evento nos próximos posts do blog.

O fato de ter estado no evento, e ter acompanhado inúmeros temas relevantes para compartilhamento e estudo, me fizeram sair da inércia. 🙂 Há muito conteúdo para estudar e compartilhar com todos, buscando uma troca maior de conhecimento e experiências vividas. Inclusive já estou preparando submissões para novos eventos ainda esse ano, como Agile Brazil 2014 (submissões já abertas) e TDC 2014 Porto Alegre. Acredito que devemos buscar um aprendizado constante, uma atitude e um desafio novo a cada dia. E palestrar para os profissionais qualificados que se encontram nesses eventos, compartilhando um pouco das minhas experiências vividas, é uma aprendizado enorme e uma grande m0tivação para seguir desempenhando o meu papel da melhor forma possível.

Fique ligado nos posts e novidades do blog. Estarei postando no mínimo 2 vezes por mês, buscando incluir um conteúdo variado sobre análise de negócio, passando um pouco de experiências enfrentadas na análise e temas ligados diretamente a área. Conto com a colaboração de vocês para comentarem e levantarem novos assuntos para discussão.

A importância de ver o todo

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Em qualquer organização há muitas pessoas e muitos meios para efetuar a comunicação. A comunicação eficaz entre todos, sempre é um desafio constante na análise de negócio. Conseguir buscar as informações e repassar de uma pessoa para outra, e entre os setores da empresa de forma clara e objetiva, é praticamente uma arte. Precisamos conhecer bem as pessoas e saber como abordá-las para que elas recebam as informações da melhor forma. Por isso que a Programação Neurolinguística (PNL) está sendo tão procurada por analistas de negócio. Muitas vezes, precisamos ser mais “psicólogos” que analistas mesmo.

Isso deve-se ao fato de cada pessoa possuir a sua própria percepção sobre seu trabalho. O setor de vendas, por exemplo, valoriza mais seu trabalho e considera fundamental, pois é através dele que entram os clientes e o dinheiro das vendas. Já o setor de compras considera seu trabalho essencial para adquirir bons preços, produtos e condições de pagamento para melhorar o fluxo de caixa. E o setor financeiro que cuida do caixa da empresa? A produção, por sua vez, considera que leva a empresa nas costas, já que é responsável por desenvolvedor o produto ou serviço com qualidade. Mas afinal, existe algum setor mais importante que outro? É claro que NÃO.

É muito natural que cada pessoa e setor considere o seu trabalho bem importante, pois sempre buscamos a valorização de nosso trabalho. Mas não podemos considerar que o que fazemos é mais importante que o trabalho de outra pessoa ou setor. Em uma organização as coisas somente acontecem quando o todo funciona bem. Não adianta a produção fazer tudo de forma rápida e perfeita e não ter vendas. Também não adianta ter vendas e não conseguir produzir, ou vender com prejuízo devido a uma negociação mal feita com o fornecedor. Sempre o todo tem que estar bem alinhado.

Dessa forma, considero fundamental que na análise de negócio sempre seja buscada uma visão mais ampla. Muitas vezes, por estarmos mais próximos de uma área, como desenvolvimento por exemplo, acabamos deixando nossa visão mais míope, mais limitada e não enxergando a empresa como um organismo mais complexo e cheio de conexões internas que levam para um resultado maior. A visão mais restrita nos tira a percepção de valor sobre algumas tarefas que devem ser implementadas.

Temos somente que ter cuidado para não nos envolvermos com tudo na empresa, buscando ser especialista em todas as áreas, e nos tornarmos assim super heróis. Sempre temos que ver o todo, mas sabendo que não seremos especialistas em tudo. Cada área possui sua experiência e conhecimento natural, e somente devemos apoiar esses setores entendendo a sua importância e suas necessidades na organização.

Mas também deve ser salientada a importância de sempre recebermos o contexto mais amplo para execução de algumas atividades. Recebermos uma tarefa para execução sem entendermos o real valor dela não é nada saudável. Temos que entender e acreditar no que está sendo feito. Fazer somente porque a direção da empresa quer, ou porque a equipe de desenvolvimento acha importante, não é a melhor saída. Sempre temos que parar, nos afastar um pouco do problema e buscar visualizar o todo. A partir desse ponto, estaremos aptos para tomarmos a decisão mais acertada.